Primavera nos dentes

Primavera nos dentes

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Calvinistas namoram o Fascismo

Quando eu era crente, descobri esta crença do calvinismo, baseada em algumas questões filosóficas sobre destino e livre arbítrio.

Muitos velhos já passaram horas a fio pensando a respeito disso. Bem divertido, creio. Adoro esses papos metafísicos, porém as conclusões são meio assustadoras.

Simplificando muito, existe céu e inferno depois da morte e/ou fim do mundo. E aí, cada um vai pra cada lado, dependendo exclusivamente da vontade soberana de Deus.

Tem um mecanismo de requerer a salvação através de uma profissão de fé. O “aceitar Jesus” pra ir pro céu. Mas, aí é que o bicho pega, é Deus que escolhe quem vai fazer isso durante a vida e viver no paraíso, e todos os demais – a maioria – que não o farão, e seguirão para a danação eterna.

Enfim, não sou eu que o escolho. Se eu o escolhi, é porque Deus me escolheu primeiro. E se você não o escolheu, é porque Deus é que não te escolheu pra escolher.

Sacou?

Então… e isso vale meio que pra tudo. Porque nada acontece se Deus não permitir, então nada tem vontade própria. Nem a gente, no caso.

Daí que eu vejo que isto explica muito da postura destes religiosos em relação à vida real. Não se incomodam em nada com o sistema cruel que promove tanta dor e tanta exploração sobre os mais pobres, os carentes, os desprovidos. Porque se isto é assim… obviamente é porque Deus quis assim.

Para quê? Bom… mistério. Deus há de ser glorificado através disso. Da dor, do desespero, da injustiça. Assim como o é com as coisas boas.

Esta visão deixa esses abençoados crentes numa postura tão, mas tão confortável… Que maldita fé apodrecida! Fica fácil dormir em paz pensando que tudo tá no seu devido lugar, seguindo seu rumo conforme Deus o planejou. E fim. Claro que estas pessoas são em sua maioria privilegiados. Homens brancos, cis, héteros, piedosos e bem sucedidos. Pessoas de bem.

Se o mundo, por sua vez, está rumando para a destruição, espécies em extinção, vegetação destruída, desmatamento, poluição… é porque o fim está próximo, então, será assim mesmo no final dos tempos. Se há bilhões de pessoas com fome… isso é consequência do pecado. Deus deve estar castigando a humanidade através deles. Fim de papo. ”Bora fazer uma pregação bem ungida no domingo e massagear os nossos egos.”

O papel de um cabra desses é ficar lá no alto da sua soberba, despejando regras, acariciando teologias e reproduzindo toda barbaridade que esta religião imperialista perpetua há mais de um milênio.

Mais recentemente, ficaram todos assanhadinhos com seus flertes autoritários e vislumbres teocráticos do governo fascista. Chegaram a participar do governo, vide o ministro da educação, pastor evangélico, limpinho, reformado, neocalvinista e definitivamente incompetente. (Ah! E FDP também)

Apertaram o número maldito na urna justificando que estão optando por uma extrema direita para evitar supostas barbáries do comunismo cubano, chines, russo… totalmente fora de contexto, ainda mais que já tivemos experiências autoritárias, sim, no Brasil. E não foram depois dos anos 90. Não foram à esquerda. E o sangue que foi derramado naquelas épocas nada vale para eles.

Engraçado… para votar errado e induzir seu rebanho a erro, os tais exercem vontade própria. Com força e entusiasmo. Levantam-se contra direitos de pobres, de outras etnias, de outras orientações sexuais. Com muito conforto. “Porque tudo está escrito”.

São a mais nova edição dos fariseus e víboras da época do JC. Bem limpinhas e cheias de si, mantendo-se amigos do rei, e envenenando tudo à sua volta.

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O problema do fundamentalismo

“Se alguém declarar: ‘Eu amo a Deus!’, porém odiar a seu irmão, é mentiroso, porquanto quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não enxerga.

1 João 4:20, KJA

Gosto deste verso. É uma vacina contra o fundamentalismo. Vejo tantas pessoas se apresentando nas redes sociais e tentando deixar claro que “amo Deus”. Imediatamente, penso “o que isso significa?”.

Conversando com uma pessoa assim tive uma explicação “amo a deus, então não tolero esses gays que o ofendem”. Cada um tem um “amo deus” diferente, com motivos diferentes. Diferentes deuses, diferentes amores e diferentes ódios.

É muito perigoso ver o mundo através das lentes do seu deus, e impor à sociedade viver diante desta lente. Se deus é supostamente contra aborto, certas drogas, homossexualidade, podemos criar políticas que inibiam ou criminalizem estas práticas? É um relativismo potencialmente assassino.

Imagino viver num país onde não se pode vender ou consumir álcool, porque “deus desaprova”. Não é sufocante? Isto já existe. Pensa quando as obrigações vão além… o que comer, o que vestir… Quem tem este direito de decidir o que proibir, obrigar ou permitir? Deuses ou homens? Na real? Deuses nunca proibiram ou obrigaram nada. Quem os faz são seus auto-declarados representantes.

Como sociedade, temos que tomar decisões, rumos. E acho que o amor é um excelente direcionador. O amor do verso supracitado. O amor ao próximo, que podemos ver. Podemos ver sofrendo falta, fome, ser explorado, vivendo sem esperança. Podemos aliviar sua dor. E impedir as injustiças. Isto não é ótimo?

Nossas decisões de rumo – ou políticas públicas – precisam ser tomadas sobre bases sólidas, materiais. Isto passa longe de escritos sagrados e seus vieses. O fundamento a nos guiar tem que ser a ciência – o que descobrimos sobre nós, o mundo ao redor, os recursos, as necessidades. O que é material, e não opiniões de deuses e seguidores bem ou mal intencionados.

Por isso eu rejeito, e sempre rejeitarei, qualquer fundamentalismo. Quando mais novo, entendia que ser fundamentalista era ter fé. Olha… pode até ser, viu. Mas ele pode te cegar e te fazer não ver o próximo enquanto tenta ver um deus… que pode nem mesmo existir.

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JC e eu

Arte do @nakedpastor

Quem é Jesus Cristo para mim? Que pergunta difícil! Eu conheci esta figura através de lentes muito específicas, que o tinham como uma parte central de um todo dogmático e fundamentalista. Um sistema de crenças que se auto-validam e que impede qualquer imaginação. Vê-lo fora de todo aquele contexto é realmente difícil.

A primeira coisa que senti em relação a ele foi que ele era a única chance que eu tinha contra uma eternidade de dor e sofrimento no fogo do inferno. Descobri que, juntando A+B, a boa nova é que eu estava bem ferrado e indo pro inferno, a não ser que eu “aceitasse” este Jesus. Claro que o fiz! Que maluco não o faria diante de tamanho risco?

Depois, fui descobrir que ele não era somente o cordeiro, a porta, o caminho. Ele é Deus! E não só isto, ele é o Deus certo. O Deus a quem se deve procurar para tentar barganhar coisas. É a ele que se você obedecer, você vai se dar bem. Maomé é um deus falso, todos os demais panteões são compostos de deuses falsos. Mas este meu Deus aqui, este é forte, é leão, é o senhor dos exércitos! (Ai que preguiça desses discursos triunfalistas…)

À parte disto, a parte divina de Jesus foi se tornando mais significativa para mim quando eu via que ele, diferentemente do seu fã clube insuportável, não parecia se importar tanto assim com o seu poder. Estava mais preocupado em mostrar seu amor. Deus é amor. O amor é maior. Maior que o inferno. Maior que as tecnicalidades, que as chaves do céu que os neo-sacerdotes pensam guardar. Se o amor é maior, então, ele veio para salvar TODO o mundo, derramar seu espírito sobre TODA carne. Então, poxa… não existe salvo/não salvo, vencedor/derrotado, ímpio/justo! Aquela “nova” realmente pode ser “boa”?!

“Opa opa… calma lá, amiguinho… a bíblia tem muuuito material que indica que isso não é bem assim…”.

Ah sim… a bíblia tem muita coisa mesmo ¬¬. Isto nos leva ao próximo item.

A última coisa que eu descobri a seu respeito é que eu não consigo ter certeza sobre o que posso saber dele. Aí entra o paradoxo da fé. Tenho que fazer concessões para acreditar. Tenho que acreditar em muitas coisas, na verdade. Não somente em Jesus. Tenho que acreditar em:

  1. quem interpreta a bíblia “corretamente”, e sabe a “verdadeira doutrina”;
  2. quem traduziu os textos que falam dele;
  3. quem organizou e selecionou estes textos, há mais de um milênio;
  4. em quem escreveu esses textos, certamente após ouvir de
  5. outros intermediários, até chegar nas 
  6. possíveis testemunhas.

É..  um rolê! Bem mais longo do que se quer admitir.

É bem curioso o quanto de teologia se faz sobre os detalhes de textos. Sobre certas escolhas de palavras. Palavras estas que podem ter se perdido, ou se achado, em todas estes pontos do grande telefone sem fio… Por um tempo, dispus-me a crer na literalidade apenas destes textos mais “recentes” (1.800 anos aproximadamente). Mas até isso é complicado. Não dá.

Ao fim, o que concluo: Eu tenho uma subjetividade, eu tenho uma certa referência neste personagem, no qual parte de mim ainda acredita, por motivos que não são tão razoáveis. Se ele é o deus encarnado, que se ofereceu como cordeiro para tirar o pecado do mundo. Se ele disse mesmo que “quem crer em mim, não morrerá, mas viverá para sempre”, e isto for verdade, eu vou ficar muito feliz! Porque ainda morro de medo de morrer. Não admito que isto vá acontecer ainda um dia (papo para outro post), e se ele vai mesmo me salvar disso, que coisa boa! Mas não preciso fazer ninguém crer nisso, ainda mais que humildemente reconheço que o meu sentimento é mais um desejo metafísico que uma certeza.

O que eu considero essência deste personagem sempre será algo a me inspirar. Devo tratar melhor certos aspectos neste blog (que corre risco de virar blog religioso de um quase-novo-ateu – eu amo contradições). Algo no meu coração, na parte que acredita, na parte que ainda tem fé e esperança, vibra na mesma sintonia de alguém que mostrava que a vida consiste em partilha, entrega e amor, e não em acúmulos e exclusões. De alguém que denunciava poderosos, fariseus, sistemas hipócritas, e se fazia presente entre os excluídos. Este é o Jesus que sempre estará dentro de mim.

“Uncertainty can be a guiding light…”

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Fundamentos da não-fé

Além da minha tristeza e crescente ojeriza por fundamentalismo – especialmente cristão – eu tenho pensado muito sobre a minha recente não-fé.

Nas poucas vezes que expliquei, ou tentei explicar, a alguém os meus motivos, eles se baseiam muito no que o signo “cristianismo” passou a representar, especialmente no contexto brasileiro. Se baseiam no quanto não quero me confundir com este comportamento, não quero tomar parte dele.

A primeira coisa que vem logo em seguida é o questionamento: “Mas e Jesus Cristo, a cruz, a ressurreição e tudo o mais?”.

É como se estes elementos tão sagrados tivessem sido sequestrados pela religião. A religião conseguiu trazê-los para si, aprisioná-los e vender ao mundo que uma coisa não existe sem a outra. Logo, se você crê na cruz, tem que acreditar que a bíblia condena os homossexuais.

Não tenho a menor intenção de desgastar-me em um resgate purista da fé. Tentar ser trigo no meio do joio, resistir, e sempre ter na língua o discurso do “nem todo evangélico…”. Nenhum interesse. Isto se deve a uma coisa: no fundo, eu não consigo acreditar mais. Não ao ponto de firmar-me em um fundamento.

Vem de mais de uma década a compreensão de que o universo não foi formado em sete dias, que é muito difícil assumir que houve alguma vez um dilúvio global sem deixar evidências. É uma das mais primitivas bases da fé judaico-cristã. Mesmo que a espécie humana tenha sido tratada diferente pela divindade, o que eu até aceitaria, pois somos diferentes dos outros bichos mesmo. Conseguimos observar o cosmos. Conseguimos nos olhar no espelho! Porém… 80% do nosso genoma é idêntico ao de uma vaca, 98% é semelhante ao gorila. Ah! E 40% é compartilhado com o repolho. Viemos do mesmo lugar, temos ancestral comum. Isto é indiscutível. Portanto…. Não, não há Adão e Eva. Não existiu um período onde não houve morte. (Sim, alguns teólogos defendem isto. Logo a morte, que é o motor da seleção natural…) Não houve um período onde não havia chuva, até que houvesse a grande inundação. Logo, aceito que houve literalmente um dilúvio? Que houve uma milagrosa abertura do mar vermelho? Que alguns homens viveram 300, 400, 900 anos? Que o sol, em determinado momento, parou? Confio cegamente em textos relatando fatos supostamente ocorridos milênios antes de sua escrita?

Bom… este é o meu primeiro fundamento quebrado. A primeira coisa que deixei de lado. Logo, não preciso torcer minha compreensão e usar toda minha capacidade duplipensante pra entender que um ser de amor ordenava genocídios. E esta era uma forma de amor. Não! Genocídio não é amor. Genocídio é assassinato mesmo.

Sinto que, uma vez quebrado este fundamento, todos os demais caíram com um castelo de cartas.

Sobre os temas mais centrais da fé, e da minha subjetividade – JC, sua cruz e sua ressureição – pretendo explorar em breve. Não perca por esperar!

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Carta aberta de “demissão” da religião cristã

Estou, aqui, colocando um final em um longo capítulo da minha vida. Eu deixo oficialmente de me denominar “cristão”.

Não consigo e não quero mais me identificar com o fundamentalismo, com o patriarcado ou com qualquer tipo de autoritarismo.

Não quero mais ser da turma das pessoas que entendem que o mundo deve mesmo ir de mal a pior, e que na verdade, quanto pior ele se tornar, melhor é, pois apressa o apocalipse. O apocalipse, aliás, que o capital está tratando de promover, aquecendo a temperatura global em nome de “progresso”, de dinheiro. Com a bênção dos cristãos.

Não quero ser da turma daqueles que gozam suas bênçãos e folgam na realidade da miséria, da fome, da morte, da sub-vida alheios. Não quero crer em um deus que abençoa os seus, e os deixa dormir em paz diante do inferno que a própria religião causa em outros seres humanos.

Sim, a religião causa. A religião cristã é um instrumento nas garras do capitalismo, do imperialismo. É a formadora do gado. É a qual luta contra tudo que não cabe no modelo de consumo produtivo para o mercado. É aquela que cria modelos de família, de obrigações, enquanto que promove racismo, LGBTfobia. Não quero tomar parte em nenhum projeto de dominação e subjugamento de pessoas.

Em nome da religião e de seus padrões imorais, milhões são cúmplices no derramamento de sangue inocente. São cúmplices da injustiça, do veneno, da queimada e da ignorância. Este mal que vai reverberar por gerações em um país fundado sobre um cemitério indígena. Que a igreja tratou de estabelecer.

Gente que ousa dizer se identificar com um homem de Nazaré que pregava a generosidade, a partilha, o reino de uma lógica igualitária e tolerante, ao passo que prega extermínio de pretos e pobres. Promovem um sistema covarde e selvagem que mata, que exclui, que faz pessoas trabalharem a vida inteira em nome de riqueza concentrada na mão de alguns. Gente que milita por acúmulo, por concentração de renda, para chamar de “prosperidade”. O deus dos cristãos tem um nome, e este é ”Mamom”. Não o servirei.

Tem gente boa lá dentro? Tem. Tem pessoas que entendem a palavra do seu senhor? Tem também. Mas são poucas, são abafadas, e quanto mais trabalham mais gente trazem para as garras dos anticristos e falsos profetas que pululam neste meio.

Eu não quero isso pra mim. Não dá mais. Cheguei no meu limite. Não quero saber das suas músicas, seus dogmas, suas ações megalomaníacas, suas pretensões de poder. Prefiro estar ao lado de quem está do lado de fora do muro. E, fica a dica, é por aqui que o JC estaria também.

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Voltando…

Quarta encarnação de um blog. Até achei o que tinha escrito na terceira, há quase 10 anos, mas não sou mais eu. Melhor começar de novo.

O nome é o mesmo, porque é isso q to fazendo, mesmo. Percorrendo um longo caminho. Cheguei a um lugar interessante. Vou compartilhar algumas coisas aqui.

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