Há um segundo tudo estava em paz…

Estou vivendo o (segundo) momento mais amargo da minha vida até agora. Meu bebê se machucou, bastante. Está no hospital, internado, sob cuidados. Um grave acidente doméstico onde eu fui o maior irresponsável.

Neste momento eu sinto falta da minha rotina… aquela que eu tanto reclamo. Trabalhar, chegar em casa, dar banho no tchuco, fazer ou esperar ele dormir, ter um momento com a minha esposa e começar tudo de novo até que chegue o final de semana onde ficamos grudados o tempo todo, fazendo coisas ordinárias, reclamamos de restaurantes, de filas, de falta de vagas… uma vidinha tão besta…

Mas como eu sinto falta disso!

Este momento atual é muito pior. Agonia de ver meu filho sentir dor, ficar cansado, irritado… minha esposa de molho com ele num quarto de hospital. Preocupações, medos… tudo porque ele está com um machucado grave na perna, causada por uma queimadura.

Era um sábado comum, com visitas queridas em casa, eu já havia feito minha corrida matinal, e comecei a preparar o café, ainda antes das 8. A Naara acordou, me passou o João, recém acordado, todo animadinho. Água no fogo e eu brinco com ele um pouco no sofá. Momento tão precioso… ele se divertindo e sorrindo… não há nada mais gostoso. Quis ficar grudado nele.

Com todo meu excesso de confiança coloquei ele no colo em um braço e continuei a fazer todo o resto com a outra mão. Terminei tudo, com ele observando… Tudo pronto, água no filtro virando café e ele, curioso. Num segundo de bobeira, vejo a mãozinha dele em direção ao café. Tentando evitar o pior, afastei com tudo, porém tarde demais… a água caiu na minha barriga, e na perna dele.

Senti o maior desespero da minha vida. Meu filho gritanto de dor… esta cena fatídica que revivi milhares de vezes, tentando dar desfechos alternativos… mas a vida, infelizmente, não é assim.

Estou sentindo o gosto amargo da minha burrice… e tem uma vidinha inocente pagando por isso.

Um momento de bobeira, uma decisão impensada.

Era um final de semana que prometia ser tão legal… tantas coisas a fazer, tantos momentos bons a viver em família… que se tornou em um pesadelo, de uma hora para outra… um pesadelo que está demorando demais a passar.

Este é um momento de dor, de medo… estamos apreensivos por sua recuperação, torcendo para que seja mais rápida possível. Que ele não sofra muito…

Dias que eu não vejo a hora de vê-los bem ao longe, neste longo caminho.

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