Onde está meu coração?
Ultimamente estou pensando em como nossa relação com qualquer coisa na vida pode ser ou ficar doentia. Mesmo que esta coisa seja até boa, ou inofensiva.
Uma das frases que está mais me motivando ultimamente na minha luta para tornar saudável minha relação com as guloseimas é “Não é possível matar a fome da alma alimentando o corpo” (Ed René Kivitz, na série 7 pecados capitais). Isso se aplica a outras coisas além de comida. Todas as coisas boas da vida trazem prazer, satisfação. E me parece que a maioria delas tem o potencial de se tornar vício, obsessão e até – na última e pior fase – uma escravidão.
Para entender isto é mais fácil quando você olha para os outros. Você não consegue identificar? “Fulano joga muito videogame”, “Zezinho vive em função do Corinthians”, “Mariazinha só pensa em igreja”, “Aquele ali não passa um final de semana sem encher a cara”… Quem possui quem?
Claro, tudo isto fica ainda mais sinistro quando a brincadeira é com coisas mais perigosas: álcool, drogas, cigarros… quando estava vindo para casa pensando nisso vi um rapaz da minha idade jogado no canteiro com uma garrafinha cheio de cola. “Li” na hora o acordo entre as partes: “Você me dá alívio, alegria, e eu te dou a minha alma”. Sorria e cheirava, compulsivamente.
Acho que o ponto que marca o divisor entre o saudável e o perigoso é quando o sujeito entrega seu coração àquela coisa. Você faz uma troca: entrega cada vez um pouco mais do seu coração por um pouco mais de prazer.
“Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.”
Mateus 6:21
Nunca me esqueço da história do pássaro que ouviu um vendedor dizer: “2 minhocas por uma pena!”. Um prazer fácil em troca de algo que ele tinha em tanta abundância. Foi trocando, sempre que tinha vontade, e cada vez mais. Um dia, percebeu que não conseguia mais voar.
Estou testemunhando alguém perto de mim, que já vendeu todas as suas penas e que hoje não pode mais voar. Perdeu a liberdade em troca do prazer, que logo se tornou a sua escravidão. Fico triste, sofro junto, e ao mesmo tempo isto toca todos os sinos de alarme para mim: cuidado onde você coloca o seu coração!
O mais importante é que eu sei onde devo colocar o meu coração. Sei quem vai recebê-lo com alegria e em troca me dar satisfação e mais alegria. Só tem uma pessoa que pode fazer isto. Eu quero, de verdade, dar meu coração só para ele. Quero que ele guarde meu coração, para eu não colocá-lo em outros lugares. Ele me prometeu uma fonte de água viva, em vez dos inúteis poços vazios, que não retém água.
“Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”
Jesus Cristo (João 7:37-38)
Amém.
