Há um segundo tudo estava em paz…

Estou vivendo o (segundo) momento mais amargo da minha vida até agora. Meu bebê se machucou, bastante. Está no hospital, internado, sob cuidados. Um grave acidente doméstico onde eu fui o maior irresponsável.

Neste momento eu sinto falta da minha rotina… aquela que eu tanto reclamo. Trabalhar, chegar em casa, dar banho no tchuco, fazer ou esperar ele dormir, ter um momento com a minha esposa e começar tudo de novo até que chegue o final de semana onde ficamos grudados o tempo todo, fazendo coisas ordinárias, reclamamos de restaurantes, de filas, de falta de vagas… uma vidinha tão besta…

Mas como eu sinto falta disso!

Este momento atual é muito pior. Agonia de ver meu filho sentir dor, ficar cansado, irritado… minha esposa de molho com ele num quarto de hospital. Preocupações, medos… tudo porque ele está com um machucado grave na perna, causada por uma queimadura.

Era um sábado comum, com visitas queridas em casa, eu já havia feito minha corrida matinal, e comecei a preparar o café, ainda antes das 8. A Naara acordou, me passou o João, recém acordado, todo animadinho. Água no fogo e eu brinco com ele um pouco no sofá. Momento tão precioso… ele se divertindo e sorrindo… não há nada mais gostoso. Quis ficar grudado nele.

Com todo meu excesso de confiança coloquei ele no colo em um braço e continuei a fazer todo o resto com a outra mão. Terminei tudo, com ele observando… Tudo pronto, água no filtro virando café e ele, curioso. Num segundo de bobeira, vejo a mãozinha dele em direção ao café. Tentando evitar o pior, afastei com tudo, porém tarde demais… a água caiu na minha barriga, e na perna dele.

Senti o maior desespero da minha vida. Meu filho gritanto de dor… esta cena fatídica que revivi milhares de vezes, tentando dar desfechos alternativos… mas a vida, infelizmente, não é assim.

Estou sentindo o gosto amargo da minha burrice… e tem uma vidinha inocente pagando por isso.

Um momento de bobeira, uma decisão impensada.

Era um final de semana que prometia ser tão legal… tantas coisas a fazer, tantos momentos bons a viver em família… que se tornou em um pesadelo, de uma hora para outra… um pesadelo que está demorando demais a passar.

Este é um momento de dor, de medo… estamos apreensivos por sua recuperação, torcendo para que seja mais rápida possível. Que ele não sofra muito…

Dias que eu não vejo a hora de vê-los bem ao longe, neste longo caminho.

Isto não é cristianismo: Stay With Me Jesus

Uma boa forma de definir uma coisa, é dizer o que ela não é. Facilita bastante ao entendedor. Decidi começar uma série aqui tentando explicar o que é cristianismo, exatamente fazendo isto: comparando com o seu oposto.

Infelizmente, no caso do cristianismo, o que mais se mostra por todo lugar são seus exatos opostos. Nosso coração duro e errado adora corromper as religiões criando sistemas malignos. Ok, estou falando como um esquizofrênico. Mas esquizofrênico mesmo é este não-cristianismo que está por aí.

Vamos ao primeiro exemplo. Uma canção da minha banda americana favorita: Guster! Minha realização indie: ter uma banda só para eu gostar. Enfim… Em seu álbum Easy Wonderful, de 2010, há uma faixa bem discreta que fala de uma pessoa com uma experiência totalmente extraordinária com (supostamente) Jesus. Vamos à letra:

Stay With Me Jesus

1945, o ano em que nasci
Minha mãe morreu, mas deixou um filho
Você ficou comigo Jesus
Sim, você mostrou o caminho
Você voou do Céu, para tirar-me de lá

Em 1959, dois carros colidem
Nove no acidente e um sobreviveu
Você ficou comigo Jesus
Sim, eu testifico
Você voou para cá, do céu, para me manter vivo

Aleluia, aleluia
Aleluia, aleluia

1985 eu perdi um avião
Que depois desapareceu, nunca foi visto novamente
Você veio para mim Jesus, ficou bem no meu caminho
Você desceu do céu para me salvar de novo

Todo lugar que vou eles correm de medo
Desta vida terrena, o fim está próximo
Você ficou comigo Jesus, inclino minha cabeça e oro
Você veio do Céu para me manter seguro
Você veio do Céu para me manter seguro

Aleluia, aleluia
Aleluia, aleluia

 

Sendo o Guster uma banda formada por judeus, classe reconhecidamente não simpatizante com a figura de Jesus, esta letra está obviamente carregada de sarcasmo, inclusive emulando o linguajar dos crentes, “Yes, I testify!”, e mostrando uma cosmovisão comum a pelo menos 63% dos cristãos (amo especular estatísticas).

Quantos cristãos estão nas igrejas procurando pelo poder de serem especiais, protegidos por numa redoma de bênçãos?

Na verdade, este é um dos melhores argumentos de “venda” da fé. “Venha, e sua vida vai melhorar”. “Venha, e você não será dono do mundo, mas será filho do Dono”. “Serás cabeça, e não cauda!”.

Antes de continuar, preciso dizer que eu acredito em milagres. Eu acredito que Deus pode e os opera. Mas milagres são milagres. Não podem ser vendidos no atacado.

Dito isto, ainda que fosse verdadeira uma história dessas, o abençoado da irônica letra, sobrevivente a pelo menos três “paredões” da vida real, acha estranho que todos estejam com medo. Como não acharia, já que ele ganhou tanta confiança com o tratamento especial que recebeu de Jesus?

Há um chamado. Para os errados, para os cansados, os sedentos… mas quando você é chamado, você não é chamado para receber, mas sim para se doar. Aí está a beleza da fé. Cristo é o primeiro que doou tudo. Seguí-lo é aprender a doar-se. Aderir a uma fé, uma religião, adotar práticas e ritos com o objetivo de receber algo em troca é, no mínimo, imaturo.

Como será quando esta pessoa finalmente entender que está, como todos, exposto às contingências da vida? Quantos perdem a fé, quantos se revoltam? Como será o choque com a realidade? Na verdade, esta é uma vida baseada na uma ilusão. Não é a verdade.

Claro, o autor da letra quis mostrar o quão ridículo é este argumento, e levantar uma discussão. Muito válida. Concordo plenamente.

Critiquem, mesmo. Eu também critico este tipo de religiosidade. Mas entendam: isso não é cristianismo!

Terminei: Sobrevivente

Sobrevivente de Chuck PalahniukComo já citei anteriormente, ao adquirir um novo Samsumg S3 (!!) verifiquei a existência de um aplicativo Kindle by Samsung.

Nunca botei muita fé em leitura em celular, principalmente para mim mesmo que não sou nem muito de ler em papel, porém dei uma fuçada e vi que mensalmente há promoções de livros que podem ser adquiridos gratuitamente, e escolhi entre os que haviam disponíveis algum que fosse mais próximo do meu gosto somente para ver o app funcionando…

Aí encontrei “Sobrevivente”, com um avião na capa, e uma sinopse que falava sobre um sequestrador suicida. Peguei. E fui muito surpreendido. Primeira surpresa: o autor Chuck Palahniuk é autor de Clube da Luta, seu maior clássico, escrito em 1996. Sobrevivente, escrito em 1999 é o seu segundo livro.

(Não preciso nem comentar o quanto sou fã de “Clube da Luta” em formato filme, até no blog já escrevi sobre isso. E até já cheguei a constatar que foda na história é o autor do livro, pois o David Fincher não criou nenhum filme tão impactante após isso.)

Mesmo tendo visto o Clube da Luta somente em filme, eu percebi várias semelhanças no desenvolvimento da história e no perfil dos personagens. Me animei até a procurar o livro do Clube da Luta, mas aí é outra história.

Segunda surpresa: O background do personagem principal é muitíssimo bem elaborado, complexo, e tem tudo a ver com religião, assunto no qual me interesso bastante. A apresentação em “fases” deste contexto é muito bem feita. Você inicia o livro sem saber nada, tentando sacar tudo através de algumas pequenas dicas aqui e acolá, para depois se achar bem esperto por ter entendido. (Aconteceu comigo).

Notei a técnica do autor em detalhar ao extremo alguns detalhes não tanto relevantes, mas para demonstrar o quanto obcecado é o personagem. E, creio, o próprio autor. Este cara tem que ser perturbado. O nível de detalhamento em que descreve toda a história da manufatura de flores artificiais é impressionantemente desnecessário. Mas agrega, o que o torna necessário. Aff… De qualquer forma fez valer seu “salário” de escritor de sucesso, pela pesquisa.

A história toda é uma grande crítica às religiões, à sociedade, à marginalização das pessoas diferentes e a como algumas estruturas podem deixar o indivíduo em pedaços. A história alça vôos altos (olha o trocadalho), trazendo para completar a sopa até mesmo poderes paranormais, e situações extremas, no limite do verossímil. Como tudo faz sentido, funcionou bem para caramba. Apresenta uma personagem coadjuvante tão boa, tão boa, que me fazia triste quando ela sumia e empolgado em cada retorno, para ver o que poderia acontecer.

Enfim, quando percebi, já estava terminando em aproximadamente 4 dias a leitura completa do livro no aplicativo. Acho que isso explica o quanto é bom, o quanto gostei. Nota 9/10.

Será que devo ler O Clube da Luta e O Clube da Luta 2?

Terminei : O Oceano no Fim do Caminho

O Oceano no Fim do Caminho - CapaDei uma chance a e-books, e entrei neste universo em grande estilo. Após receber um livro grátis numa promoção da Samsung (aplicativo Kindle através da Samsung Store dá este direito), minha primeira compra foi este: O Oceano no Fim do Caminho, de Neil Gaiman.

Eu gostei muito do “Deuses Americanos”, clássico do autor, e já saquei o seu estilo metafísico, utilizado até mesmo nos quadrinhos que ele escreve, então eu esperei algo mais que isso, com a expectativa em alta. E recebi.

A história começa muito simples, e o elemento fantástico chega aos poucos, tomando conta de tudo, até o final da história, que é excelente. Simples, extremamente simples, mas muito envolvente.

Como o personagem principal é uma criança, e segundo o próprio autor, baseado na sua própria infância, rolou uma identificação imediata com o Marcelo de 7 anos. Saem deste contexto discussões excelentes sobre o que é ser adulto, sobre as limitações infantis, a sua compreensão parcial do mundo e, especialmente, sobre os traumas. Este ponto, em especial, explorado de forma magistral.

Nestes tempos de facebook, onde todo mundo tem uma vida perfeita, e todos dizem ter tido uma infância maravilhosa e querer voltar no tempo, o personagem diz sem rodeios:

“Eu não era uma criança feliz, ainda que, de vez em quando, ficasse contente. Vivia nos livros mais que em qualquer outro lugar.”

Ponto. É assim mesmo, seco, visceral.

Juntamente com esta profundidade narrativa, a metafísica do Gaiman vem com tudo. Criaturas ancestrais de antes da criação do mundo, porém em formas ordinárias, comuns. Foi apresentado um lampejo de uma mitologia bem mais interessante que a mitologia de Deuses Americanos, ao meu ver. E o melhor foi mostrar desta forma mesmo, aos pouquinhos, com pequenas dicas, nos colocando como expectadores e atores inconscientes de algo maior. É um pouco como enxergo a vida, o universo e tudo o mais.

Devo destacar o capítulo em que, na hora, eu decidi: “Neil Gaiman é foda!”. A cena de tentativa de “fuga” do personagem principal – de quem não sabemos o nome. Não me lembro de tamanho suspense nem mesmo nos meus filmes mais recentes. De tirar o fôlego! Senti todo o medo, desespero… queria correr junto com o menino.

Eu gosto muito da forma Gaiman de enxergar o fantástico, o metafísico e o concreto. De forma inexplicada, uma moeda pode ser a Lua, e um oceano pode caber em um balde. É assim. Por que esperar por uma explicação? Vejo muito disso na vida real: O universo foi criado em 7 dias, fato, mas desde quando isso torna inviáveis o big bang, a evolução, ou a explosão que arrancou um naco da Terra e o transformou na Lua?

OK… isso é papo para outro dia.

De qualquer forma, o livro é recomendadíssimo. Vale a pena. Nota 10/10.

Me empolguei com e-books. Aceito sugestões.

“Baby, baby, baby, light my way…”

Vamos pular o papinho furado “nossa.. há quanto tempo não escrevo aqui, bla bla blá” e promessas de continuidade. Elas não me fazem bem.

Mas não deixa de ser um post de atualização. Olá mundo, estou aqui, com trinta e três anos. Idade de Cristo, no auge da minha forma e capacidade física… com o abdomen definido (será redondo para sempre)… e vivendo a melhor fase da minha vida!

Continuo à beira da depressão (ok, exagerei), sem imóvel, patrimônio ou propriedade, com crises de fé, míope, com medo de dentista etc etc. Porém, olha só esse moleque…

Este é o João!

Este é o João!

Minha segunda maior conquista (em ordem cronológica). Esse carinha veio para completar meu lar. Veio nos unir ainda mais, nos trazer aquele fôlego extra ao final de um dia difícil, fazer de cada momento ordinário (ir ao supermercado por exemplo) uma aventura, e sempre mais prazeroso. Quero ir a todos os lugares possíveis, e quero levá-lo junto comigo.

Eu tinha muitos medos antes de saber que ele estava chegando. (Insegurança é um dos meus sobrenomes.) Porém, como mágica tudo simplesmente SUMIU ao saber da notícia. “Eu sou pai de alguém!”.

A Bíblia diz que “o perfeito amor lança fora todo o medo”. Nunca experimentei isso de forma tão concreta. Não dá medo de nada. Só desejos bons e alegria.

Engraçado, vi este fim de semana no “Hook” (aquele filme do Peter Pan velho…) uma cena singela onde o Peter Pan voa pela primeira vez (desde seu retorno) com este pensamento bom: “Eu sou papai”. Eu entendo a força disso.

Graça sobre graça. Sou grato, muito grato. É só mais uma vida, entre 7 bilhões em operação, só mais um, mas este é minha responsabilidade, este está comigo, e é para este que eu preciso ser forte, preciso ser presente, e eu quero isso tudo.

Continuo no meu longo caminho, mas agora ele está mais iluminado.

Trilha sonora: Ultraviolet (Light My Way) do U2

The Logical Song – Supertramp

Esta é a música que marca meus 32 anos.

Eu lembro de conhecê-la quando ainda era um jovenzinho. Me lembro de entendê-la, mas não de senti-la. Ontem, num momento de reflexão, ela simplesmente brotou e expressou o meu sentimento.

Diz tudo sobre mim hoje… meu cinismo, minhas desistências e confusões.

Não tão mal assim, mas, acho que agora sou adulto mesmo. Sem volta.

Por que será que isso me incomoda tanto?

Whatever…

Letra original aqui e a tradução embaixo, para ajudar.

A Canção da Lógica

Quando eu era jovem
Parecia que a vida era tão maravilhosa
Um milagre, oh ela era tão bonita, mágica
E todos os pássaros nas árvores
Estavam cantando tão felizes
Oh alegres, brincalhões, me observando
Mas aí eles me mandaram embora
Para me ensinar a ser sensato
Lógico, oh responsável, prático
E me mostraram um mundo
Onde eu poderia ser muito dependente
Doentio, intelectual, cínico

Tem vezes, quando todo o mundo dorme
Que as questões seguem profundas demais
Para um homem tão simples
Por favor, me diga o que aprendemos
Eu sei que soa absurdo
Mas por favor me diga quem eu sou

Agora cuidado com o que você diz
Ou eles vão te chamar de radical
Um liberal, oh fanático, criminoso
Você não vai assinar seu nome?
Gostaríamos de sentir que você é
Aceitável, respeitável, apresentável, um vegetal!

A noite, quando todo o mundo dorme,
Que as questões seguem tão profundas
Para um homem tão simples
Por favor, me diga o que aprendemos
Eu sei que soa absurdo
Mas por favor me diga quem eu sou

A Avuação

Este post é sobre “O Voo” (Flight, 2012). Contém spoilers leves.

Pôster de "O Voo"Pra mim foi estilo Lulu Santos: “Não vou dizer que foi ruim, também não foi tão bom assim”. Por quê? Vou tentar ver se descubro…

Na verdade o filme é sobre vício… mais especificamente o alcoolismo. Não me lembro de um filme que abordasse este tema desta forma, então temos um ponto positivo aí. É algo importante para se refletir. Mas aí, acho que aconteceu algo: o filme se assemelhou muito a estes últimos (bons) filmes cristãos: Desafiando Gigantes, ou Prova de Fogo, por exemplo. Pois é uma história sobre alguém num longo caminho para superar limites e vencê-los – ou não – no final.

Reafirmo: acho estes filmes bons, sim. Mas eles tem uma limitação: Não podem ser tão realistas. Por exemplo, no filme “Prova de Fogo”, a mulher começa a se encantar com um cara do trabalho, num momento em que está distanciada do seu marido, ela no máximo vai “tomar um café” com o sujeito. Foi leve, mas é uma coisa que Hollywood não perdoaria. Estes filmes tem que ser 100% família, poder “passar na igreja”, portanto não podem ser tão crus e realistas.

Então, imagino, o Robert Zemeckis, diretor do clássico máximo super mega boga de todos os tempos “De Volta Para o Futuro”, deve ter tido que tomar uma decisão, e eu creio, aí ele errou a mão.

Para compensar, na balança, o tom moralista e quase religioso, ele combinou a isto cenas altamente explícitas: nudez, sexo, pornografia e consumo de drogas e de álcool desenfreado. As primeiras cenas são eletrizantes, dão um tom de um filme totalmente “podrão” e, logo depois, vem as cenas de ação de tirar o fôlego… mas aí, acaba o clímax e – TOMA! – estamos num filme de tribunal, até o fim. PUTZ!

A cena de ação inicial é realmente excelente, de execução competentíssima e muito criativa. Realmente surpreendente. Mais um ponto positivo, aqui, mas tudo isso acaba e não volta mais…

Barney Gumble

Sério... eu via este cara na tela do cinema.

Dentro desta colcha de retalhos temos o ator principal, a grande estrela do filme, oscarizado e também indicado ao Oscar por este voo, senhor Denzel Washington. Muito bom ator, até competente neste filme, mas que não surpreende. Só faz assumir uma cara blasé, eventualmente imitar o Barney Gumble, dos Simpsons, e fixar uma boquinha torta (esta do cartaz aí em cima). Não… não merece ganhar prêmio. O salário já está bem pago, e a indicação foi um mega bônus.

Enfim, o filme tenta ser muito realista, explícito, enquanto mantém o tom moralista. Coisas que raramente estão juntas, pois simplesmente não combinam.

Acho que sei qual foi o quesito onde minha nota vai ser baixa: Harmonia, nota 5. (Olha o espírito carnavalesco baixando por aqui). A harmonia faz falta, e conseguiu me deixar sem saber se gostei ou não deste filme agridoce.

Robert Zemeckis, continuo seu fã e fã dos seus fã, mas na próxima seja melhor. Tô na torcida.

Por que escrevi sobre este filme, em ver de Argo, Os Miseráveis, O Lado Bom da Vida ou Aventuras de Pi, todos filmes que eu gostei mais? Sei lá… acho que nenhum deles me incomodou tanto.

Domingo tem Oscar, vamu vê!

O que eu quero é sossego?

Num dos momentos filosóficos do Pânico da rádio – é… eu ainda ovo – o Emílio Surita, quem eu considero um cara muito sábio, apesar de todo o cinismo, sarcasmo e zueiras, começou a discorrer sobre a reeleição do Obama, especificamente em como é bom que as coisas fiquem como estão… e que nós não gostamos muito de mudança. Aí, genialmente, citou seu suposto “velho avô”, que dizia:

“Prefiro o sossego à felicidade.”

Gato mais preguiçoso do mundo.

Muito bom! Identifiquei muito este sentimento com a minha persona preguiçosa… como eu gosto de sossego! Como eu gosto de ficar quieto (com as coisas que eu gosto e que sei que são efêmeras) e como me irrita quando surge algo inesperado que demanda minha ação, atenção e minha preocupação justamente nestes momentos de “paz” e “descanso”.

Interessante foi constatar que você realmente pode ter sossego mesmo sendo infeliz. Estar numa situação de merda mas numa zona de relativo conforto, sem lutar, e sem estresse além do “normal”. Mesmo que este nível de estresse aumente, desde que seja gradual, não tem problema… não é louco pensar que o cerumano seja assim? Mas é…

A felicidade, por sua vez, não é barata. Ela depende da atenção, do trabalho e do esforço. Ela é construida. Semeada.

Isso me motiva a me engajar. Além de trabalhar para melhorar a minha vida (“minha” felicidade), também trabalhar para melhorar alguma outra coisa. Outras vidas, a sociedade, e um pouco do mundo. Piegas? Mas é sincero… é pra isso que eu estou aqui.

Claro, como sempre defendo, em tudo há de se achar um equilíbrio saudável. Há tempo para tudo né? Trabalho e sossego. Acho que a felicidade – mesmo – está no bom equilíbro dessas coisas. Nem a paranóia e a corrida desenfreada, nem o vício no ócio, a apatia e o marasmo.

“A virtude é quando se tem a dor seguida do prazer; o vício, é quando se tem o prazer seguido da dor.”

Margaret Mead

Pérolas para você

porquinhas felizes

Essa é para você, protagonista do mundo.

Glamorous LipsVocê é o retrato dessa época,
Desses dias onde o que se mostra é o que se é.
De você todos querem falar.
Você faz vender revistas e faz delas sua linha do tempo.

Meus parabéns! Você chegou lá. Tem tudo que pode sonhar.
Sempre bela e impressionante, rainha-mãe das piriguetes.
Sente o perfume da inveja alheia, de quase todas
Que lhe admiram tanto, enquanto te odeiam.

Os outros você só vê quando deitados aos seus pés.
Aceita deles a bajulação enquanto mamam em tuas tetas.
Você os sustenta enquanto te entretém.

E você se alimentou das suas próprias crias, tirou-lhes o leite e a inocência.
Fez seus acordos lascivos, seus negócios fraudulentos.
Banhou-se nas mais abundantes cachoeiras de podridão e poder.
Sujou o corpo e a alma, mas sabe maquiá-las bem, não é?
Pensa ofuscar com seu ouro, as trevas das suas entranhas.

Só você não sabe, mas está nua
Seu novo vestido de desespero te denunciou.

Atrás da rala cortina de felicidade, quem poderia imaginar?
Lá dentro, no escuro, você pensou que era a única a ver o quanto já perdeu
Só você sabia sentir-se tão só.

Mas eles fingem não saber, então está tudo bem.
Sorria para mais uma foto.
Faça história.
Cause.
Finja.
Que ótima impressão!

O que quero para 2013

Sou meio avesso a acompanhar algumas “ondas”… o espírito natalino há muito não me pega, por exemplo. Desde quando eu ainda ganhava playmobil no natal. Não é que, aos 46 do segundo tempo de 2012 eu senti uma estranha motivação? No ano novo a única coisa que muda é o calendário, mas psicologicamente, não deixa de ser uma nova etapa.

Deixe-me afetar pelas mudanças, e agora eu quero um 2013 melhor. 2012 foi bacana, até, apesar de o mundo não ter acabado (ô piada batida). Mas senti que tem muitas coisas que tem que melhorar na minha vida, na minha caminhada. E lá vou eu… nos primeiros minutos do ano rabisquei uma pequena lista do que eu quero para 2013:

  • Ler a Bíblia. Eu tenho sentido uma necessidade enorme de ler a Bíblia. Muitas dúvidas estão nascendo, e eu cada vez tenho menos certezas. Estou seguindo um conselhor Ed René: leia sua bíblia novamente. E lá vou eu, novamente me propondo a ler a Bíblia em um ano. E dessa vez vai! (posso ouvir um amém?) O aplicativo Bíblia da www.youversion.com está me ajudando a fazer isto de forma muito prática.
  • Perder 10kg. Cliché. Na verdade se não engordar já tá bom. Na verdade, isto está bem legal já… só quero perder as gordurinhas obtidas nas comilanças de fim-de-ano e não engordar. Já fico feliz.
  • Correr! Me empenhar novamente na corrida. Manter este hábito que coloquei na minha vida e foi um grande presente. Já basta completar as 4 corridas do Circuito das Estações, mas se conseguir ir finalmente na São Silvestre – que não rolou em 2012 – aí fecharei 2013 com chave de ouro.
  • Largar a terapia: tem sido muito bom, me ajudou muito, mas está na hora de eu finalmente me resolver e andar solo. Percebi que a terapeuta concorda, antes de eu mesmo falar. Sem mais.
  • Me envolver / me engajar : Está na hora de começar a dividir o pouco que tenho. Eu quero me envolver em alguma coisa. Inicialmente, vou me tornar membro da IBAB (já frequento há mais de 4 anos!) e me envolver em algum projeto / ONG / o que for. Vou me preparar para isso.
  • Ler mais, aprender mais : quero saber mais sobre teologia, tecnologia, missão integral etc. Então preciso ler! Não exatamente “ler mais”. Continuar como estava lendo já ajuda.

Poderia ter algumas coisas mais “importantes” : ser promovido, ganhar mais dinheiro, finalmente fazer uma pós, mas eu não estou priorizando isso, apesar de estar aberto à possibilidade… se fizer metade do que escrevi acima já ajuda.

Ah! Postar mais no blog poderia ser uma boa também. Vai que rola? :D

Bom 2013!!!

Quem?
Marcelo Mathias Lima
São Paulo, 33 anos, cristão, nerd.
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